sábado, 23 de junho de 2012

Caso xavante dá vida a constatações do documento da Rio+20



Caso xavante dá vida a constatações do documento da Rio 20: Índio fala dos abusos que seu povo sofre por parte dos grileiros

15/06/2012 18:41:06

Caso xavante dá vida a constatações do documento da Rio+20


Sucena Shkrada Resk, do Mercado Ético
Os bastidores da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental apresentam histórias que não farão parte do documento oficial a ser produzido durante o evento. Mas esses são exemplos reais, que dão “vida” a propostas e constatações discutidas no documento e aos ambientes frios das salas e corredores das negociações oficiais. Entre elas, a que trata do reconhecimento da importância da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas na implementação global, regional e nacional das estratégias de desenvolvimento sustentável.

Índio xavante José de Arimatéia Tserewamriwê Tseren, da região de Alto Boa Vista, no norte mato-grossense / Foto: Sucena Shkrada Resk
A história contada hoje ao Mercado Ético pelo índio xavante José de Arimatéia Tserewamriwê Tseren, da região de Alto Boa Vista, no norte mato-grossense, ilustra esse trecho do documento que está sendo finalizado. O indígena chegou hoje ao Rio de Janeiro, em um grupo de 12 índios, e participará de atividades tanto na Rio+20 como na Cúpula dos Povos (evento paralelo promovido por organizações da sociedade civil).
“Viemos participar desses encontros para pedir que seja cumprida a promessa de devolução de nosso território tradicional Marãiwatsédé, que foi invadido por grileiros, fazendeiros que desmataram terras para fazer pasto e cultivar soja”, conta ele, que faz parte do conselho da aldeia, onde vivem 935 índios.
“Desde 1992, no periodo da ECO 92, o governo brasileiro diz que a terra é nossa. Chegou a ser homologada em 1998, mas hoje não temos mais onde buscar frutas e animais de caça”, lamenta o índio. “Os nossos rios, como o rio Fontoura, estão contaminados e não conseguimos mais pescar”, continua.
Segundo o xavante, a reivindicação da qual é porta-voz também expressa o valor dado por seu povo à conservação da natureza na Amazônia Legal. “Queremos que tudo que foi destruído seja reflorestado. Somos o povo da mata”, atesta.
Para Rubens Born, coordenador executivo-adjunto do Instituto Vitae Civilis – Cidadania e Sustentabilidade, o caso exposto por José de Arimatéia também vai ao encontro de uma das propostas que estão sendo discutidas no rascunho final da Rio+20, que é da criação de uma ouvidoria para as futuras gerações. “Teria um papel semelhante ao que hoje tem o alto comissariado de Direitos Humanos, e apontaria lacunas internas nos países que infringem os direitos das futuras gerações”.
Neste sábado (16), haverá uma atividade autogestionada na Cúpula dos Povos, das 9h às 11h, sobre este caso, que deverá contar com a participação do cacique Damião Paridzané, do ator e ativista Marcos Palmeira, de Aluizio Azanha, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e de Márcia Zollinger, do Ministério Público Federal de Mato Grosso, entre outros convidados.
Mais detalhes sobre a situação de Marãiwatsédé podem ser encontrados no blog maraiwatsede.wordpress.com.

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