sábado, 7 de julho de 2012

Sexta, 10 de outubro de 2003, 03h00 CONFLITO INDÍGENA Xavantes estão abandonados




Sexta, 10 de outubro de 2003, 03h00
CONFLITO INDÍGENA

Xavantes estão abandonados

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Márcia Oliveira  / Da Redação
Os xavantes da aldeia Sangradouro, no município de General Carneiro, 428 quilômetros de Cuiabá, não pouparam críticas à ausência de políticas públicas de incentivo ao plantio mecanizado para os povos indígenas e a todas as estruturas de organização branca, montada para apoiá-los. As reclamações e o pedido para que deixem de ser "exército de proteção" de reservas, para futura exploração dos brancos, foram feitos aos membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, de Brasília, que visitaram o local na quarta-feira (8), com deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Mato Grosso.
Os líderes indígenas se consideram "traídos" por instituições como a Funai e Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Os primeiros teriam se "acovardado" na hora de defender seus territórios e os segundos estariam mais preocupados com a vinda de recursos internacionais, que nunca apareceriam nas aldeias.
As críticas foram feitas pelo ex-cacique da Sangradouro, Alexandre Tsereptse, irmão de Joaquim Marãdzuhö, que desapareceu em abril deste ano, quando foi pescar numa fazenda vizinha. Segundo os índios, Joaquim foi morto a mando de fazendeiros da Rica I e Rica II, Ernesto e Luiz Carlos Ruaro. O inquérito aberto pela Polícia Federal, no entanto, não aponta culpados. O delegado que o preside Luciano Raizer, diz que, enquanto o corpo de Joaquim não aparecer, trabalha-se com a tese de que o índio está desaparecido.
O sumiço de Joaquim foi contado aos deputados federais, Pastor Reinaldo (PTB/RS), Orlando Fantazini (PT/SP) e César Medeiros (PT/MG), como o acirramento da violência dos brancos contra os índios, que tentavam redemarcar a área da Sangradouro há 10 anos. "Meu irmão saiu no dia 2 de abril de 2003 para pescar e os peões pegaram ele, mataram e não entregaram o corpo, não deram os ossos dele. Isso que nossos vizinhos fizeram. Depois disso fomos brigar porque eles querem tomar tudo. Fui a Brasília resolver a questão e disseram que estava tudo certo. Passaram 90, dias, voltei lá e não tinha mais presidente da Funai. Então, ficaram de mandar um GT (Grupo de Trabalho) e quando eles chegaram, os fazendeiros daqui expulsaram todo mundo. Então renunciei. Não queria mais briga e que as crianças de nosso povo sofressem. Ninguém colabora com índio, tudo da boca pra fora", desabafou Alexandre. As reclamações constarão em relatório que será apresentado na Câmara Federal, assim que o grupo concluir a Caravana, com visita a aldeias de oito Estado.

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